Prefeito de Traipú acusa ex-PM de vender sentenças

  • Redação
  • 16/04/2011 00:38
  • Polícia
Arquivo / Cadaminuto
Marcos Santos

Em entrevista à rádio 96fm Arapiraca, o prefeito de Traipú, Marcos Santos, não apenas se defendeu das acusações que vem sofrendo depois da Polícia Federal ter deflagrado a operação Mascoth, como também fez uma grave denuncia contra um soldado da Polícia Militar, que pode iniciar uma ampla investigação sobre a possível venda de sentenças em Alagoas.

De acordo com Marcos Santos, o dinheiro que foi enviado a Prefeitura de Traipú para a educação alimentar dos alunos foi em sua totalidade revertido para merendas. Ele também destacou avanços que o município tem alcançado durante suas gestões a frente da administração.

“A Prefeitura de Traipú está em dia com funcionários e fornecedores. Queremos equiparar os nossos professores com o piso nacional de R$741, aplicando a tabela com recursos próprios. Temos também várias obras, entre elas o Centro de Convenções que será o primeiro do interior de Alagoas”, contou.

Operação Carranca

Durante a conversa com o radialista José Rocha, o prefeito Marcos Santos também se defendeu das acusações na Operação Carranca, que prendeu em 2007 cerca de vinte pessoas acusadas de fraudar licitações de obras públicas no estado. “Nossos advogados estão conseguindo reverter esse processo. Não foi provado nada. É problema pessoal, político, por não gostar da minha pessoa, da maneira que trabalho”, completou.

Venda de sentenças

Marcos Santos foi mais além e contou que foi coagido antes mesmo da operação ser realizada em novembro de 2007 por um segurança para que fosse feita uma doação de R$150 mil que o livraria das acusações antes mesmo da PF deflagrar a “Carranca”.

“Em junho (a operação aconteceu em novembro) fui procurado por um segurança de um determinado juiz para fazer uma doação no valor de R$150 mil para que não fosse colocado meu nome no processo. O pedido também foi feito a empresários da construção civil, prefeitos, ex-prefeitos e eu induzir aos outros que não acreditasse. Mas, algumas pessoas pagaram e meses depois os nomes saíram do processo”, explicou.

Novo pedido

O prefeito contou também que quando estava preso no presídio Baldomero Cavalcante, um ex-policial militar, expulso recentemente por participar da chacina da Praça Arnon de Mello, em 1996, ofereceu sua soltura por R$100 mil e lhe garantiu que a sentença sairia em no máximo três dias.

“Esse rapaz chegou me oferecendo o alvará de soltura, mas não acreditei que existisse autoridade capaz de fazer isso. O tempo foi passando e nada do meu processo ser julgado. No oitavo mês em que estava preso, fui notificado como acusado de um possível atentado contra um procurador e um juiz. Depois disso, meu advogado conseguiu minha liberdade, pegamos a ação e começamos a agir, entrando com nossa defesa”, declarou.

O Minuto Arapiraca pesquisou e descobriu que o policial militar ao qual o prefeito se referiu é o soldado Ronaldo Barbosa dos Santos, condenado a 52 anos de prisão, por ter participado da chacina da Praça Arnon de Mello, onde quatro jovens foram executados e outro ficou paraplégico.

Contas aprovadas

No fim da entrevista, Marcos Santos falou: “Estamos no poder há 11 anos e nunca tivemos alguma conta reprovada por ministérios, TC ou TCU. Se tivesse algum erro, o ministério não iria aprovar. Será que tenho esse poder de corromper até mesmo o ministério. Sou um homem público que vem sofrendo humilhações de outras pessoas. Mesmo sabendo que posso sobreviver sem a político, prefiro continuar ajudando o povo da minha terra”, concluiu.