Desumanidade: Secretaria Estadual de Educação nega escola para desabrigados da Sururu de Capote

  • 25/03/2009 18:36
  • Maceió
As últimas horas não tem sido fáceis para os moradores da Favela do Sururu de Capote, no Dique Estrada, depois de terem cerca de 30 barracos queimados, em uma ação que feitas por traficantes de drogas, foram rejeitados pela Secretaria de Estado da Educação que negou a Escola Lais de Campos, em frente a favela para receber os desabrigados.

Tudo teve início na madrugada passada quando uma briga entre dois grupos de traficantes pela divisão do produto de roubo de um caminhão da empresa Carajás causou o assassinato de um menor de 15 anos e um incêndio que acabou causando a destruição dos barracos.

Pela manhã (veja o vídeo ao lado) os moradores que perderam tudo receberam a visita de uma comissão de vereadores, comandados pela ex-senadora Heloisa Helena e o pastor Marcelo Gouveia e tiveram a promessa do representante do Estado que arrumaria um local para abrigar as famílias.

Na noite do dia seguinte, nenhuma promessa havia sido cumprida e os desabrigados tiveram que contar com a solidariedade de vizinhos e amigos para poder não passar a noite no relento.

Ontem às 22 horas eles receberam a notícia que revoltou a todos. A Secretaria de Educação do Estado negou a cessão de uma parte da escola Lais de Campos para abrigar as famílias que tiveram suas casas destruídas.

Os moradores denunciaram que durante o dia de hoje, equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros estiveram no local, mas nenhuma das famílias afetadas pelo incêndio foi atendida.

Por telefone, a líder da comunidade Sururu de Capote, Vânia Teixeira disse a reportagem do CadaMinuto que outros protestos podem acontecer nesta quinta-feira. “Dessa vez estamos dispostos a ir até a porta do prédio onde mora o governador Teotônio Vilela, lá na praia, e denunciar a ele que estamos sendo atacados por alguns segmentos da imprensa, polícia e alguns órgãos públicos. Dessa vez passou dos limites”, disse Vânia.

Em relação ao saque a um caminhão de uma madeireira, ontem, antes do incêndio, Vânia Teixeira disse que tudo foi organizado por um grupo de traficantes que quer comandar a distribuição de drogas em toda a favela.

“Existem dois grupos. Um, somos nós, moradores e pais que não aceitamos o tráfico. O outro grupo são eles, que querem entrar aqui e recrutar nossos filhos para servirem de ‘soldados’ para eles. A polícia sabe, mas tem muita gente importante envolvida com o tráfico e o mas fácil é generalizar e dizer que todos da favela são marginais”, desabafou ela.

A vereadora Heloisa Helena, que ficou até cerca de 20 horas com os moradores, se disse enojada com a recusa do Estado em ceder a escola. Os moradores prometem continuar os protestos na manhã de hoje até que o Estado ou o município os ajudem a encontrar um local para passar a noite.

Nesta matéria o internauta do Cada Minuto pode ver as reportagens em vídeo produzidas por nossa equipe durante o dia, tendo inclusive a promessa do representante da Defesa Civil em relação aos desabrigados.