O banco de dados de pessoas desaparecidas de Alagoas enfrenta as mesmas dificuldades do Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD), criado pelo Ministério da Justiça há um ano, que foram mostradas em uma reportagem exibida pelo Fantástico, no último dia 03.

Entre os problemas para a atualização do sistema, que pode ser acessado pela internet, está a falta de interesse da Polícia Civil em repassar informações, já que diante de um desaparecimento um dos procedimentos é registrar um Boletim de ocorrência.

A localização das irmãs Cícera Beatriz dos Santos, 12, e Samara Oliveira dos Santos, 14, que desapareceram desde a última terça-feira, 29, após saírem de casa em direção ao colégio no qual que estudam, em Coruripe.

Elas foram vistas entrando em um carro que era conduzido por um homem desconhecido poderia ser facilitada se o banco de dados estivesse atualizado e houvesse a troca de informações entre vários órgãos, pois é possível divulgar fotos e informações sobre parentes.

Luiz Antônio Ferreira da Silva, que é chefe do Departamento de DNA forense da Universidade Federal de Alagoas, onde o banco de dados de pessoas desaparecidas foi desenvolvido, explicou que há três anos foi elaborado um projeto piloto que permitiria que o sistema fosse atualizado nacionalmente, mas isso acabou não saindo do papel. Ele lamentou o desinteresse das autoridades em atualizar os dados .

“Na época me reuni com o secretário de defesa social, que era o Paulo Rubim, com delegados e conselheiros tutelares para que existisse uma atualização das informações das pessoas desaparecidas, mas isso acabou não acontecendo. Iríamos oferecer um treinamento nas delegacias para que os agentes e delegados aprendessem como acessar, mas ninguém quis. Nosso banco de dados é sofisticado e agora está sem utilidade”, lembrou.

Ele informou que atualmente o banco de dados possui o cadastro de 11 pessoas desaparecidas, feito por familiares, lembrando que se alguém some em municípios menores, como Jacaré dos Homens, um parente só teria como saber da existência do banco por terceiros. Segundo Luiz Antônio boa parte das pessoas procuradas estão vivas e saem de casa devido a brigas com parentes.

“É difícil abastecer o banco de dados, porque se alguém some e as informações não ficam guardadas e em dois meses o caso será esquecido. Acontece da pessoa ser encontrada e do cadastro não ser retirado. Já fomos procurados por pessoas de outros Estados, como Rondônia. Temos um convênio com a secretaria de defesa Social e realizamos 32 exames de DNA em cadáveres para comprar com o de parentes. Destes, 17 não batiam, o que significa que são tidos como desaparecidos e família pode nem saber que estão mortos”, contou.

Segundo o chefe do Departamento de DNA forense falta interesse de encontrar pessoas que desapareceram em Alagoas. “A maioria é pobre, por isso não vemos repercussão na sociedade. Se fosse alguém de classe média todos estavam loucos procurando. É uma questão de cidadania ajudar a encontrar essas pessoas. O problema não é falta de conscientização das autoridades , mas sim um problema político”, lamentou.

Luiz Antônio lembrou que qualquer pessoa pode acessar o banco de dados de forma gratuita e contribuir para a atualização dos dados. “Diante de uma solicitação mandamos uma senha para que qualquer pessoa abasteça, por meio do WWW.labdnaforense.org/bd de forma gratuita. Familiares de pessoas desaparecidas também podem nos procurar no Museu de história natural, onde fica o laboratório de DND da Ufal, localizado na Avenida Aristeu de Andrade, Farol ou pelo telefone: 3336-6558”, explicou..