O Portal Cadaminuto teve acesso ao estudo detalhado e minucioso elaborado pela Secretaria de Estado de Defesa Social de Alagoas, apresentando todo quadro e a má distribuição de policiais militares no Estado.

O estudo foi encomendado pelo vice-governador José Thomaz Nonô (DEM) e deve ser apresentando ao governador Teotônio Vilela Filho (PSDB), ainda esta semana.

Além de realizar o raio-x em toda corporação, os dados traçam um comparativo do efetivo local com outros estados do Nordeste, mostrando que Alagoas se enquadra entre o 4º e 1º lugar, respectivamente, caso haja comparação por habitantes e por meto quadrado, ou seja, de acordo com os dados, os números da violência no Estado deveriam ser bem diferentes.

Toda corporação da Polícia Militar de Alagoas, atualmente, é representada por 8.025 policiais. Destes, 605 ainda estão na Academia da PM, com a perspectiva de que até o segundo semestre de 2011, eles possam trabalhar de forma ostensiva.

Dois dados chamaram atenção no estudo: O primeiro deles foi o número de licenças médicas concedidas entre janeiro e dezembro de 2010. A junta médica da Polícia Militar concedeu 6.028 autorizações de afastamento por diversos motivos clínicos ou outros.

O segundo dado se mostra bem complexo e diz respeito à distribuição de policiais nas assessorias militares por todo o Estado, chegando ao expressivo número de 852, quando a Lei de organização básica e quadro de organização da PM (LBOPM) permite apenas 400 homens.

A reportagem do Cadaminuto presenciou inúmeros militares desviados de suas funções. Na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) é possível ver alguns PM´s servindo como manobristas de carros. Já no Palácio República dos Palmares, militares abrem e fecham cancelas.

Entre os absurdos do Estudo está a constatação que tem até um policial militar alagoano servindo a ONU e que o PM no qual o Estado mais investiu ao longo do tempo, em cursos e qualificação, hoje se encontra fazendo segurança de um deputado estadual.

Além dos desvios de funções, o raio-x na PM mostra que 59% do militares estão na faixa etária entre 40 e 49 anos e apenas 10,94% se encaixa entre 29 anos.

ESTADO

“A Polícia Militar parece mais um hospital ambulante”. Quem fez o desabafo é o vice-governador, Thomaz Nonô em entrevista ao portal Cadaminuto, reiterando seu comentário de que a PM, hoje, é capaz de realizar o policiamento de maneira exemplar, caso seja distribuída nos locais devidos.

“Ao observar os números das dispensas médicas fiquei surpreso, em 2010 foram mais de 6.000”, frisou Nonô, não desejando polemizar a situação das assessorias militares.

“Se está certa a lotação de quase 900 policias em diversas assessorias não é do meu território, é uma questão para o governador Téo Vilela e o comandante da PM, coronel Luciano Silva”, rebateu Nonô, ao ser informado que a LBOPM permite a disponibilização de apenas 400 homens.

Secretário de Defesa Social

O Secretário Dário César, por meio de sua assessoria, alertou que desde que foi comandante da Polícia Militar tentou diminuir o número de policiais militares lotados nas assessorias, no entanto, sem sucesso.

“Fizemos um projeto no qual tentamos não acabar, apenas diminuir o número de policiais, mas não obtivemos sucesso ao esbarrar no legislativo”, alertou a assessoria.