Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true

As declarações preconceituosas do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) acerca de uma pergunta feita pela cantora Preta Gil, no programa jornalístico-humorístico CQC (TV Bandeirantes) renderam ao parlamentar oito representações por quebra de decoro no Conselho de Ética da Câmara e tiveram novos desdobramentos, após ele tentar corrigir o “erro”, afirmando não ter entendido a pergunta e tentar se justificar atacando os homossexuais.

Ao ser questionado por Preta Gil sobre como se comportaria se um filho seu se apaixonasse por uma negra ele respondeu que não iria discutir promiscuidade com quem quer que seja. “Eu não corro esse risco e meus filhos são muito bem educados”. Por conta disso, o ex-ministro da Igualdade Racial Edson Santos (PT-RJ), cerca de 20 outros parlamentares e até a Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ) protocolaram pedido de cassação contra Bolsanaro.

O deputado disse que o Congresso Nacional vive uma guerra, devido à instalação da Frente Parlamentar contra a homofobia, que conta com 175 parlamentares, entre eles o deputado federal Jean Willy (Psol), que representa os homossexuais na Câmara. Representantes do movimento gay em Alagoas participaram do lançamento da Frente, que ocorreu no último dia 29, no salão nobre da Câmara, em Brasília.

O diretor executivo da ONG Pró-Vida, Dino Alves, que também é coordenador da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT – no Estado informou que durante o evento as críticas de Bolsanaro foram frequentes. Ele lamentou a ausência de parlamentares alagoanos para reforçarem a luta para assegurar o direito dos homossexuais, ressaltando que apenas a deputada federal Rosinha da Adefal se dispôs a apoiar a causa.

“Ela tentou, mas não consegui chegar a tempo no evento. Enviamos vários convites aos demais parlamentares do Estado, liguei para eles, mas não recebemos nenhum apoio. Alagoas é o estado com o maior número de assassinatos a homossexuais e é um absurdo que nossos políticos não façam algo para mudar essa realidade. O Bolsanaro dizia que a frente não ia dar em nada e que estava pouco se lixando para os homossexuais”, contou.

Alves afirmou que vários movimentos sociais esperam a cassação do parlamentar. “Tanto o movimento negro quanto o movimento homossexual foram atingidos pelas coisas que ele falou. Infelizmente a homofobia ainda é aceita no Brasil, mas o racismo não. Ele tentou mudar o que disse, mas se complicou ainda mais. As pessoas não são obrigadas a aceitar a homossexualidade e sim, respeitar”, destacou.

Ainda segundo o diretor da Pró-vida a discriminação não pode ser justificada pela religião, já que ele disse conhecer evangélicos que respeitam a opção sexual das pessoas. Ele lembrou que por ser uma pessoa pública e ter “discriminado” a filha de um cantor famoso e que já foi ministro, Bolsanaro também incitou uma discussão importante. Alves afirmou que espera que no Congresso, políticos alagoanos não tenham posicionamentos semelhantes ao do deputado.

“O Bolsanaro não faz isso por ser evangélico e sim, porque é fundamentalista. Estamos buscando aliados, inclusive no Estado porque se houvesse mais representantes do movimento no Congresso não haveria esse estranhamento. Não queremos destruir a família e sim, criar a nossa, com a possibilidade de ter um companheiro e adotar crianças, tendo o direito de viver e ser feliz. O deputado não pode contestar a vida pessoal das pessoas. Os homossexuais também têm direitos garantidos por lei”, ressaltou.