Empresa que seria ligada à Universal não se manifestará, diz funcionária

  • eduardocardeal
  • 12/08/2009 01:23
  • Brasil/Mundo
O G1 procurou na tarde desta terça-feira (11) a empresa Cremo, uma das apontadas pelo Ministério Público do Estado de São Paulo como integrante de um suposto esquema de desvio do dinheiro de fiéis da Igreja Universal.

À tarde, por telefone, uma funcionária que se identificou como Cíntia disse que a empresa não iria realizar atendimentos nesta terça e que não comentaria as investigações do Ministério Público.

Mais cedo, a reportagem esteve no edifício em que está localizado um escritório da empresa, no bairro Bela Vista, em São Paulo.

O porteiro disse que não havia funcionários no local e que o andar onde funciona a empresa estava fechado. Por interfone, ele tentou contato com o escritório, mas ninguém atendeu. O porteiro disse não ter visto, até o início da tarde, a funcionária que diariamente abre o escritório pela manhã.
 
Nesta terça, foi divulgada a informação de que a Justiça aceitou denúncia do MP por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha contra o fundador da igreja, o bispo Edir Macedo, e outras nove pessoas.

Segundo o porteiro do prédio, a Unimetro, outra empresa apontada pelo MP como integrante do suposto esquema, não tem sede no local. Mas informou que cartas destinadas à empresa chegam ao mesmo endereço da Cremo.

O G1 tenta contato com advogados dos réus. Por e-mail, a asssessoria jurídica da Igreja Universal informou que quem responderá à denúncia do Ministério Público será o advogado Arthur Lavigne.

Ao jornal "Folha de S.Paulo", na edição desta terça (11), Lavigne negou fraudes e disse que a Universal e seus integrantes são perseguidos pelo Ministério Público Estadual.

 Entenda o caso

De acordo com o MP, os denunciados integram um grupo que supostamente remetia os recursos oriundos de doações dos fiéis da igreja para duas empresas: a Unimetro Empreendimentos S/A e a Cremo Empreendimentos S/A.

Segundo os promotores, são empresas de fachada, pertencentes aos denunciados e instaladas em um mesmo endereço.

Segundo comunicado divulgado pelo Ministério Público, "para os promotores, ficou comprovado que o dinheiro das doações, em vez de ser utilizado para a manutenção dos cultos, era desviado para atender a interesses particulares dos denunciados".

O comunicado diz que Cremo e a Unimetro "remetiam esses recursos para empresas localizadas em paraísos fiscais". Segundo o MP, "o esquema garantia que o dinheiro retornasse ao Brasil em forma de contratos de mútuo celebrados com intermediários que fazem parte do grupo acusado, e fosse utilizado na compra de empresas de comunicação".

Em 2004 e 2005, de acordo com o MP, as duas empresas "foram responsáveis pela movimentação, ocultação e dissimulação de mais de R$ 71 milhões".

O Ministério Público diz que, há dez anos, o grupo utiliza a Igreja Universal para a prática de fraudes. O MP estima que a Igreja Universal movimente cerca de R$ 1,4 bilhão por ano no Brasil como resultado de doações de fiéis.