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Foi preso durante uma operação policial, o padrasto do garoto Danilo Almeida, 7 anos, que foi morto com diversas facadas no bairro do Clima Bom. O mandado de prisão foi expedido pelo juiz Alexandre Machado, do Juizado de Violência Doméstica Contra Mulher de Arapiraca.

De acordo com os delegados responsáveis pelo pedido de prisão,  José Roberto Morais foi preso suspeito de ter praticado tentativa de homicídio, estupro de vulnerável, lesão corporal, cárcere privado e sequestro no ano de 2010 contra sua, à época, companheira e também contra sua enteada de apenas 11 (onze) anos de idade.

Os crimes foram descobertos depois do depoimento da ex-mulher de José Roberto, durante a apuração do assassinato de Danilo e com a necessidade de apurar o caso, os delegados enviaram  informações até então formalizadas, para a delegada Daniela Alves, titular da delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Mulher de Arapiraca.

Após ouvir testemunhas e as vítimas, que não terão seus nomes revelados, foi possível confirmar que de fato Jose Roberto de Morais, conhecido também como sertanejo, teria residido naquele município e que teria praticado os crimes os quais chegaram ao conhecimento da Polícia Civil.

A operação foi coordenada pela Divisão Especial de Investigação e Captura (Deic), através dos delegados que compõe a comissão de investigação da morte de Danilo, os delegados Bruno Emílio, Eduardo Mero, Fabio Costa e Thiago Prado, José Roberto Morais.

Mãe e filha confirmam crimes em depoimentos

Durante depoimento, mãe e filha relataram que vivam em cárcere privado no interior da residência em total subordinação a José Roberto de Morais, sendo agredidas verbalmente e fisicamente. A enteada de Roberto só passou a frequentar a escola após a interferência do conselho tutelar de Arapiraca.

Na época, José Roberto também tinha uma oficina de bicicletas e a obrigava (a enteada, criança à época) a trabalhar na oficina e em várias oportunidades testemunhas presenciaram ele acariciando a criança na oficina e a beijando na boca. Mãe e filha só conseguiram fugir de Roberto porque foram escondidas por vizinhos e receberam abrigo deles até que fossem resgatadas por um familiar.

Esse familiar afirmou que por aproximadamente 8 anos (entre 2002 e 2010) mãe e filha viveram sob o domínio de Jose Roberto sem manter qualquer contato com a família.

A ex-companheira de Roberto, apesar de todo o temor e pânico apresentado em relação a ele, relatou que: “Roberto vivia a ameaçando de morte, que ele não a deixava sair de casa, para que ela não conseguisse fugir com sua filha. Que em determinado dia Roberto com raiva a pegou pelo braço e começou a espancá-la no banheiro, enquanto sua filha gritava por socorro. Não satisfeito, Roberto tentou esganá-la e empurrou a sua cabeça dentro do vaso sanitário por algumas vezes. As agressões nesse dia só cessaram quando chegou um cliente na oficina de bicicletas que na época funcionava em sua residência. Também foi relatado que Roberto sempre inventava um motivo para sua companheira sair de casa com a finalidade de que ele pudesse ficar sozinho com a enteada de apenas dez anos de idade. Era nesses momentos que Roberto abusava sexualmente de sua enteada. Sua ex-companheira relatou que pensou em tomar veneno de rato ‘chumbinho’ pois tal medida por mais drástica que fosse poderia abreviar o sofrimento pelo qual estavam passando.”

A ex-enteada, hoje maior de idade, confirmou os crimes perpetrados por Roberto, inclusive o abuso sexual. De acordo com a vítima, “Roberto se masturbava constantemente diante dela e também a acariciava e pedia que a menina acariciasse os seus órgãos genitais. Em outras oportunidades, ocorria o estupro propriamente dito. Afirmou ainda que trabalhava praticamente na condição de escrava na oficina e que num dado momento por contrariá-lo seu intento, apanhou com um cabo de aço de freio de bicicleta. Disse que ele se comportava como um monstro e decidiu fugir com sua mãe por que perceberam que mais cedo ou mais tarde seriam assassinadas por Roberto. Disse ainda que até hoje sofre de dores nas articulações em decorrência das torturas praticadas pelo seu padrasto”.

José Roberto foi conduzido para a DHPP para adoção dos procedimentos cabíveis. Ao ser perguntado acerca dos fatos que lhe foram imputados, José Roberto confirmou que manteve esse relacionamento em Arapiraca e que de fato viveu intimamente  com uma criança durante alguns anos, no entanto, não confessou o estupro.

Sobre o caso Danilo os delegados não anteciparam o resultado das investigações mas revelaram que o caso está avançando e caminha para sua conclusão.