Projeto garante cidadania e esperança a jovens em risco social

  • carlinhos
  • 10/08/2009 07:40
  • Maceió
Cidadania e esperança de uma nova vida para meninos e meninas em vulnerabilidade social. É com esse objetivo que 350 jovens, entre 15 e 24 anos, com histórico ou algum indicativo de violência inseridos em três bairros de maior incidência em Maceió participam, do Projeto de Proteção de Jovens em Território Vulnerável (Protejo).

Os participantes do programa estão sendo apresentados ao mundo da computação, para conseguir uma ocupação, e ainda participam de centros de terapias ocupacionais, prática de esportes e cursos profissionalizantes.

O Protejo é um dos programas pertencentes ao Territíorios da Paz, do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), que o governo de Alagoas e o Ministério da Justiça implantaram desde maio deste ano, inicialmente no complexo habitacional Benedito Bentes. O marco inicial do programa contou com a presença do governador Teotonio Vilela e do ministro da Justiça, Tarso Genro.

Outros dois bairros, Vergel do Lago e Jacintinho, também foram mapeados como os mais violentos da capital alagoana, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

A coordenadora do Protejo, Thaís Agra, destaca o total desprovimento de carinho e disciplina. Segundo ela, inicialmente esse fator de abandono dificultou muito o trabalho. “ Mas hoje eles já estão em um nível bem melhor, porque começou a ser construído uma espécie de rede e sentimento familiar”, revelou Thaís.

Ela lidera uma equipe multidisciplinar de 37 profissionais nas mais variadas áreas, como assistentes sociais, psicólogos, professores de educação física, informática, capoeira, dança, terapeutas ocupacionais etc.

“Tanto foi assim que no início do projeto, pela caracaterística desses jovens e seu histórico de vulnerabilidade, era grande a dificuldade em juntar jovens de algumas comunidades porque eles se consideravam rivais”, completou a coordenadora.

Os 350 jovens selecionados têm direito a uma bolsa de R$ 100, e foram recrutados em janeiro. Conforme explicou Thais Agra, um dos requisitos foi eles estarem regularmente matriculados na escola.

Cultura da paz desde o berço

Dentro deste perfil que pretende vislumbrar um futuro melhor para centenas de jovens da capital está a jovem Elizângela dos Santos Araújo, 19 anos. De segunda a sexta-feira, Elizângela desloca-se da favela Sururu de Capote, onde mora, no bairro do Vergel, até a Escola Estadual Tarcísio de Jesus, às margens da Lagoa Mundáu, no Trapiche da Barra, e, à tira-colo com sua pequena Emily Kauani, de apenas nove meses, dedica-se aos cursos oferecidos pelo Protejo.

“Não tenho como deixá-la com outra pessoa, porque não tem quem tome conta. Então, frequento o Protejo com ela ao meu lado nas aulas. Por um lado é bom, porque minha filha já vai acostumando com as coisas boas da vida desde bebê”, atesta a mãe da pequena Emily, enquanto dá os primeiros passos nas teclas do computador.
“Nunca havia mexido em um computador na vida”, revela a jovem, com os olhos vidrados e entusiasmada com o mundo da moderna tecnologia à sua frente.

Elizângela, como todos os jovens selecionados pelo Protejo, tem em seu histórico de vida uma relação próxima à violência. “Por muito tempo estive ligada a entorpecentes, como o loló, e alguns familiares estiveram envolvidos com o tráfico”, relata.

Esse é também o caso da jovem Kelly Ferreira de Lima, 16 anos, que assim como Elizângela, leva a sua pequena Mikelly, de oito meses, para as aulas de informática e terapia ocupacional.

Morando na favela da Muvuca, localizada nas proximidades da Lagoa Mundáu, de segunda a quinta-feira, a menina-mulher desloca-se com a filha para a escola. “Eu também não perco as aulas por nada e, com certeza, a minha filhinha também já está se educando”, acredita.

“Estou gostando muito da aulas de informática, a professora é nota dez”, completa Kelly, ao se referir à professora Alana de Mattos que confirma que boa parte das meninas do Protejo leva seus filhos às aulas.

Outro participante empolgado com a nova experiência de vida dentro do que oferece o Protejo é Fagner Silva dos Santos, 20 anos, morador do Virgem dos Pobres II, localizado no bairro do Vergel do Lago e que também freqüenta o Tarcísio de Jesus. “Estou adorando as aulas de terapia ocupacional, é uma coisa muito interessante e que será bom para minha vida no futuro”, opina o jovem que tem três meses de projeto.

Thais Agra informa que os 350 jovens selecionados estão divididos em três núcleos: 120 no bairro do Benedito Bentes; 120 no Jacintinho e 110 no Vergel do Lago.

Frutos — E os primeiros resultados graças à acão do Protejo já começam a aparecer. De acordo com Thaís Agra, quatro jovens fizeram o curso de pintor e seis foram selecionados para cursos de encanador pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). “Além disso, mais quatro jovens foram encaminhados para cursos de confecção de ovos de Páscoa, pelo Senac”, informa.

“O importante é que esses jovens resgatem a autoestima e disseminem uma cultura de paz em suas comunidades”, ressaltou a coordenador do Protejo em Alagoas.

As ações preventivas e repressivas dentro do Território da Paz incluem ainda a instalação de policiamento comunitário, que o governo de Alagoas, por meio da Polícia Militar, está implantando como projeto-piloto no Conjunto Selma Bandeira, e a seleção de jovens para participarem de programas sociais.

Segundo o Pronasci, Maceió é a segunda capital do Nordeste e o sexto município do país a receber o Território de Paz. Desde dezembro de 2008, o projeto está em funcionamento em localidades como o Complexo do Alemão (RJ), no bairro de Santo Amaro, no Recife (PE), Espírito Santo e Distrito Federal.