De árvore a Esperidião Rodrigues – A história da Emancipação de Arapiraca

  • Redação
  • 30/10/2011 06:41
  • Cidade
CMA
Arapiraca

A cidade que assim como o Brasil tem seu nome graças a uma árvore comemora neste domingo, 30 de outubro, 87 anos de Emancipação Política. A reportagem do Minuto Arapiraca decidiu contar em alguns parágrafos, um breve histórico dos acontecimentos que giraram em torno desde a chegada de Manoel André até outubro de 1924, quando após lutas encabeçadas pelo Major Esperidião Rodrigues da Silva, enfim foi outorgado o título de cidade de Arapiraca.

Os primeiros passos

Foi embaixo de uma árvore chamada Arapiraca, localizada a margem do Riacho Seco, que Manoel André Correia dos Santos descansava, enquanto desmatava as terras em procura de uma fonte de água doce onde pudesse se instalar para tomar posse da propriedade Alto do Espigão do Simão de Cangandú adquirida em 1848, por seu sogro Capitão Amaro da Silva Valente Macedo, que residia no então Povoado Cacimbinhas, município de Palmeira dos Índios

A aconchegante sombra da arvore fez com que Manoel André tivesse uma idéia: construir uma cabana de madeira coberta com cascas de angico, onde depois fez sua casa, numa distância de cerca de cem metros, onde se instalaria com a família que viera de Cacimbinhas. Aos poucos seus irmãos e irmãs, cunhados e cunhadas, sobrinhos e parentes se instalaram no local, transformando os arredores daquela árvore em um povoado.

Os avanços

Com o falecimento de Manoel André, no ano de 1890, o major Esperidião Rodrigues continuou sua obra, assumindo a liderança política da localidade. Associou-se com Florêncio Apolinário e criam a primeira casa de negócio no povoado, no ramo de estivas e tecidos. Em 1884, Esperidião Rodrigues da Silva, cria a feira. Pelo Decreto Lei nº 12 de 1º de maio de 1890, foi criada uma escola mista no povoado de Arapiraca, mas somente no governo de Barão de Traipú, em 1891, foi nomeada a primeira professora Marieta Peixoto Rodrigues. Ainda no governo do Barão de Traipú, por iniciativa de Esperidião Rodrigues da Silva, foi criado o Distrito de Sub-delegacia de polícia.

Na eleição de 1892, Manoel Antônio Pereira Magalhães, sobrinho de Manoel André Correia, é eleito para o cargo de intendente do município de Limoeiro de Anadia. Durante a sua gestão, construiu o açude público, localizado em cacimbas (atualmente Lago da Perucaba).
O Major
Em junho de 1858 nasceu na Vila de Cacimbinhas, em Palmeira dos Índios, o homem que seria anos mais tarde o grande responsável pela emancipação política de Arapiraca - Esperidião Rodrigues da Silva. Com apenas seis meses de vida passa a morar no Povoado Arapiraca, onde já residia seu cunhado Manoel André Correia dos Santos.

Em 1875, com 17 anos de idade, Esperidião casa-se com sua prima Joana Belarmina de Macedo. Desta União nasceram os filhos: André Rodrigues de Macedo, Serapião Rodrigues de Macedo, Domingos Rodrigues de Macedo, Lino Rodrigues de Macedo, Antonio Rodrigues de Macedo, Jonas Rodrigues de Macedo e Cecília Rodrigues de Macedo.

Em 1880, Esperidião torna-se o 1º comerciante do Povoado de Arapiraca, e em 1888, cria a feira de Arapiraca, a fim de facilitar a vida dos moradores do povoado. Dois anos mais tarde, é eleito Presidente do Conselho da Vila de Limoeiro. Neste mesmo ano conseguiu do Governo a criação de uma escola para o povoado; como também a criação do Cartório do Registro Civil, para casamento, nascimento e óbitos e uma agência dos correios.

Anos depois, casa-se pela 2ª vez com Balbina Farias de Melo; desta união nasceram: Amália Rodrigues da Silva, José Rodrigues da Silva, Genésio Rodrigues da Silva, Vigilio Rodrigues da Silva, Laura Rodrigues de Melo, Juvênio Rodrigues de Melo, Rosa Rodrigues de Melo, Gondizalves Rodrigues de Melo e Marieta Rodrigues de Melo.

Em 1908, Esperidião funda no Povoado de Arapiraca, uma Sociedade Musical denominada: “União Arapiraquense” cujo os instrumentos musicais foram adquiridos em Paris (França). Sete anos depois, o Governador Cel. Clodoaldo da Fonseca nomeia Esperidião à Intendene da Vila de Limoeiro de Anadia.

No fim de 1918, vende suas propriedades e vai fixar residência no povoado de Igreja Nova, mas depois resolve mudar-se para Lagoa Comprida, povoado que ficava as margens do Rio São Francisco.

Em abril de 1924, seu sobrinho Domingos Lúcio da Silva, o procura para que Esperidião liderasse os rumos da Emancipação do Povoado de Arapiraca da Vila de Limoeiro de Anadia. Em 1936, casa novamente, dessa vez com Maria Rodrigues. Em julho de 1943 morre aos 85 anos.

Emancipação

Apesar de estar distante do Povoado de Arapiraca, Esperidião Rodrigues da Silva lutou durante vários anos pela emancipação. Como não existia carro, o major realizava viagens a cavalo para capital de Alagoas. No percurso tinha que enfrentar lideranças políticas de Limoeiro de Anadia que envidavam esforços tentando a todo custo obstruir o trabalho e a tramitação do processo de emancipação.

Durante anos, frequentou secretarias, Assembléia Legislativa, Tribunal de Justiça, Palácio do Governo, entre vários órgãos. Anos mais tarde, começa a receber ajuda do deputado Odilon Auto (natural de Pilar) que resolve apoiar e defender a causa da Emancipação.

Impaciente com a burocracia da tramitação do processo resolveu ficar na capital alagoana até que o projeto fosse aprovado. Durante 40 dias permaneceu ao lado do Deputado Odilon Auto, acompanhando a tramitação do Projeto de Lei nº 1009, que após vários debates e discussões acaloradas, foi finalmente aprovado pela Assembléia Legislativa e sancionada pelo Governador Dr. José Fernandes Lima, no dia 30 de Maio de 1924.

No dia 31 de maio de 1924, recebe Esperidião, um telegrama oficial no qual relatava:

Cel. Esperidião Rodrigues da Silva

Arapiraca Limoeiro

Acabo sancionar Projeto Lei criando município de Arapiraca, com cuja população laboriosa, adiantada e progressista me congratulo por intermédio amigo, grande incansável paladino dessa conquista que representa ato de justiça aos poderes públicos e a um povo que se levanta por si próprio, que tem iniciativa e que progride.

Cordiais Saudações

Ass. Fernandes Lima- Governador do Estado

Empossada

Quando Arapiraca foi elevada a condição de cidade, em 1924, contava, apenas, com cinco logradouros públicos incompletos e alguns acessos. assim, existia o Quadro - atual praça Manoel André, a rua Nova - hoje Pça. dep. Marques da Silva, a rua Pinga Fogo - atual rua Aníbal Lima, início da Rua Boca da Caixa e que, depois, passou a ser denominada de Rua 15 de Novembro e início da Rua do Cedro - atual Av. Rio Branco.

Apesar de ter sido em maio, o mês onde foi sancionado o projeto, apenas no dia 30 de outubro de 1924, o jornalista Pedro da Costa Rego, empossa a junta governativa de Arapiraca, e assim fica fixada a data da emancipação política de Arapiraca.