Deputados estaduais e partidos de esquerda “agitam” eleição

  • Redação
  • 02/05/2011 04:51
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Ufal
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A eleição para reitor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) deverá mesmo acontecer em junho deste ano, apurou o Cada Minuto. O calendário acadêmico da Universidade é claro: as aulas no primeiro somente se encerram somente no dia 2 de julho.

Sendo assim, no mês de junho toda a comunidade acadêmica estará frequentando normalmente os campi da instituição, seja na capital, seja no interior.

A decisão de realizar a eleição ainda neste semestre independe da vontade da atual gestão da Ufal, conduzida pela reitora Ana Dayse Dórea. Na verdade, foi o Conselho Universitário, instância de decisão superior da Universidade, quem aprovou por 29 votos contra 10 a decisão de que a lista tríplice com o nome dos três candidatos mais votados e a ser submetida ao MEC deve estar definida em 8 de agosto.

Como julho, e não junho, é mês de férias, não haveria anormalidade em se realizar a eleição em junho, já que este é um mês letivo normal. O Consuni é formado por 54 membros, oriundos dos três segmentos da comunidade acadêmica – alunos, professores e técnicos – e eleitos pela própria comunidade acadêmica.

O fato apurado pela reportagem é que a eleição da Ufal conta com ingredientes novos: “apoio” de deputados da Assembleia Legislativa e de partidos de oposição ao governo Dilma teriam interesse em questionar o processo.

Entre os deputados Luis Dantas e Inácio Loyola já se manifestaram no plenário da Assembleia Legislativa fazendo severas críticas a atual gestão da reitora Ana Dayse.

Jogo de interesses

Fontes ouvidas pelo Cada Minuto revelam os bastidores da eleição, na qual com concorrem até agora dois candidatos: o atual vice-reitor Eurico Lobo, com apoio da atual gestão; e o professor Paulo Wanderley, candidato derrotado na eleição anterior, realizada em 2007.

Informações dão conta de que uma terceira chapa estaria sendo montada, encabeçada pela professora Maria Valéria.

Na semana passada, uma nota foi divulgada na imprensa afirmando que a Comissão Eleitoral da Ufal iria anunciar em entrevista coletiva sua suposta “contrariedade” para com a realização da eleição em junho, alegando ser este o mês de férias na instituição.

Alguns veículos de comunicação veicularam a nota, que se mostrou inverídica. Isto porque a coletiva não ocorreu como anunciada e a alegada “contrariedade” partia de somente 2 membros, inclusive suplentes da Comissão, formada por 6 titulares.

Falso golpe e crítica contraditória

Um integrante do Consuni ouvido pelo Cadaminuto, que pediu para não ter seu nome revelado por medo de represálias, desabafou sobre a idéia do “golpe” e deu sua versão.

“Na verdade, é um jogo de contra informação. O professor Eurico sai como favorito, com apoio integral da reitora Ana Dayse, da maioria dos diretores de unidades acadêmicas, pesquisadores, técnicos e parcela significativa dos estudantes. E a oposição parece sem discurso, tentando vender uma imagem falsa de ‘golpe’”, disse ele.

“Além disso, o candidato Paulo Wanderley tem discurso contra a interiorização e defende de público a fragmentação da Ufal com a criação de uma universidade rural, o que fragilizaria uma Ufal hoje em expansão. E mais, a candidatura de Paulo é ‘turbinada’ com apoio de alguns deputados estaduais, o que não é nada produtivo para a Universidade, já que a Assembleia é reconhecida como foco de escândalos e corrupção” afirmou o conselheiro.