Irmão de Wellington diz que história da família em Realengo está “acabada”

  • Redação
  • 11/04/2011 11:44
  • Brasil/Mundo

Um dos cinco irmãos de Wellington Menezes de Oliveira, o atirador que matou 12 crianças e feriu outras 12 no ataque à Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio, disse que a história da família no bairro está acabada.

O irmão de Wellington, que mora em Brasília, disse que os irmãos do atirador que mora no Rio tiveram de deixar suas casas por medo de represálias.

- Estamos sem chão. Toda uma história positiva que a família tinha junto aos vizinhos, infelizmente está assim. Tiveram que sair da casa por causa de atitude monstruosa, calculada [de Wellington]. Ele preparou isso e machucou muito a minha família. Nossa história em relação àquela área está acabada.

O irmão do atirador conta que ficou emocionado quando soube da iniciativa de ex-colegas de Wellington de pintar a fachada da casa da família, no Rio, após ataque de vândalos.

- Ficamos muito emocionados quando soubemos disso. Ex-amigos de colégio dele que levantaram essa bandeira. Nossa mãe era amiga de todo mundo ali.

Foi a partir da revolta dos sobrinhos ao ver que a casa havia sido depredada que o cabeleireiro Marcos Gerbatim, de 47 anos, ex-aluno e pai de dois filhos, teve a ideia de mobilizar a vizinhança para pintar os muros da residência, que fica a poucos metros da escola, e cobrir o portão destruído a pedradas com folhas brancas.

O irmão de Wellington afirmou que a família não tem intenção de providenciar um enterro para o atirador, pois o sentimento deles, no momento, está concentrado neles e nos parentes das vítimas.

- Temos estrutura familiar, mas uma pessoa que planeja e faz o que ele fez... Minha família jamais poderíamos por nosso sentimento direcionado a ele. Nossa atenção está direcionada a nós, que estamos vivos, e aos familiares das vítimas.

Entenda o caso

Por volta das 8h de quinta-feira (7), Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, ex-aluno da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio de Janeiro, entrou no colégio após ser reconhecido por uma professora e dizer que faria uma palestra (a escola completava 40 anos e realizava uma série de eventos comemorativos).

Armado com dois revólveres de calibres 32 e 38, ele invadiu duas salas e fez vários disparos contra estudantes que assistiam às aulas. Ao menos 12 morreram e outros 12 ficaram feridos, de acordo com levantamento da Secretaria Estadual de Saúde.

Duas adolescentes baleadas, uma delas na cabeça, conseguiram fugir e correram em busca de socorro. Na rua Piraquara, a 160 m da escola, elas foram amparadas por um bombeiro. O sargento Márcio Alexandre Alves, de 38 anos, lotado no BPRv (Batalhão de Polícia de Trânsito Rodoviário), seguiu rapidamente para a escola e atirou contra a barriga do criminoso, após ter a arma apontada para si. Ao cair na escada, o jovem se matou atirando contra a própria cabeça.

Com ele, havia uma carta em que anunciava que cometeria o suicídio. O ex-aluno fazia referência a questões de natureza religiosa, pedia para ser colocado em um lençol branco na hora do sepultamento, queria ser enterrado ao lado da sepultura da mãe e ainda pedia perdão a Deus.

Os corpos dos estudantes e do atirador foram levados para o IML (Instituto Médico Legal), no centro do Rio de Janeiro, para serem reconhecidos pelas famílias. Onze estudantes foram enterrados na sexta-feira (8) e uma foi cremada na manhã de sábado (9).

O corpo do atirador permanece no IML. Ele ficará no local por até 15 dias aguardando reconhecimento por parte de um familiar e liberação para enterro. Caso isso não ocorra, o homem pode ser enterrado como indigente a partir do dia 23 de abril.