Os passos do escritor alagoano Graciliano Ramos serão traçados no documentário Universo Graciliano”, que está sendo produzido pelo cineasta catarinense Sylvio Back. As gravações foram feitas nas cidades de Palmeira dos Índios, Viçosa, Quebrangulo, Maceió, Salvador e Rio de Janeiro.

A vida do autor de São Bernardo e Vidas Secas será reproduzida no filme que pretende narrar os principais feitos do escritor, desde seu nascimento até sua morte. “Graciliano Ramos tem uma trajetória muito interessante, desde suas primeiras escritas em Alagoas até sua estada na União Soviética”, disse o cineasta Sylvio Back.

Segundo Back, o interesse em reproduzir a vida de Graciliano se deu a partir de estudos sobre suas obras e análises de filmes sobre o escritor. “Sempre fui admirador de Graciliano. Desde sempre acompanhei filmes que reproduziam suas obras e percebi que ninguém nunca tinha feito algo que narrasse a trajetória desse excelentíssimo escritor”, contou.

O cineasta considera que a indústria do cinema no Brasil sempre viu com bons olhos a obra do escritor. “Graciliano é o único escritor brasileiro que não foi mal-tratado pelo cinema brasileiro, como aconteceu a Guimarães Rosa, Jorge Amado e Machado de Assis”, analisa Back.

O documentário

“Universo Graciliano” vem sendo preparado há meses, desde a criação do roteiro até o início das gravações. “Não se prepara um filme de repente; tem toda uma pré-produção”, disse o cineasta Sylvio Back.

De acordo com ele, o primeiro passo para iniciar a produção de um documentário é a conquista e aplicação do projeto às leis que regem a produção audiovisual. “Para aplicar o projeto à lei, tem que ser apresentado um roteiro e um orçamento que supra as necessidades do mesmo”, explicou.

Após o projeto ser aprovado, é a hora de colocar o roteiro em prática. Para isso, o cineasta contou com apoios importantes, como o financiamento feito pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e o patrocínio da Petrobras e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Sylvio Back afirma que outro grande apoio na produção desse documentário foi do Governo de Alagoas, que, através da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), indicou e facilitou os contatos com as locações. “Sem o apoio logístico do Governo, não seria possível as gravações”, destacou.

Ele aponta também que o apoio teve grande importância para a equipe superar um dos principais obstáculos da produção: a desconfiguração das cidades. “O cenário, principalmente das grandes cidades, está totalmente diferenciado do que se encontrava na década de 30”, disse.

Apesar das dificuldades de cenário, o cineasta conta que não seria possível as gravações serem feitas em outros lugares, como em um cenário fictício. “Alagoas já tem o cheiro de Graciliano. Afinal, foi aqui que ele viveu grande parte da sua vida”, ressaltou Sylvio.

Para contar toda a trajetória do “Mestre Graça”, a produção do filme conta com uma pesquisa iconográfica feita pelo próprio cineasta e por especialistas em Graciliano Ramos. O meterial reúne desde a música que Graciliano gostava de ouvir até os costumes da sociedade da época. “Estamos com um material muito interessante. Inclusive, boa parte dele é inédita”, disse.

Segundo Back, a produção está contando com a memória da população. “A memória é o DNA desse documentário”, ressaltou. “Estamos entrevistando personalidades que viveram na época do escritor e que conviveram com ele”, contou.

O documentário pretende fazer com que a população reviva os melhores momentos da época e com que entrem na verdadeira história de Graciliano Ramos. “Quero que, no final do documentário, o público diga que o Mestre Graça era ‘o cara’”, declarou o cineasta.

Para Sylvio Back, essa produção é a mais importante obra sobre Graciliano. Além disso, ele a considera como um marco para o cinema literário. “Esse é um documentário feito para o cinema, mas que vai muito além. Ele vai percorrer todas as mídias, desde a televisão aberta até a internet”, afirmou.

O cineasta

Jornalista e crítico de cinema, Sylvio Back é filho de imigrantes húngaros e alemães que imigraram para Santa Catarina. Sua formação intelectual está fortemente ligada à literatura e à história. Interessado nessa temática, Back realizou 37 filmes em 46 anos de carreira.

Entre seus trabalhos estão A guerra dos pelados (1970), Revolução de 30 (1980) e Lost Sweig (2002). O mais recente O contestado – restos mortais – será apresentado no I Festival de Cinema Transcendental, em Brasília.

A pré-estreia do documentário Universo Graciliano está prevista para acontecer ainda este ano, provavelmente no segundo semestre.