A redução nos quadros da Polícia Militar de Alagoas, devido a pedidos de reserva e ainda, evasão por conta de morte, já vem sendo sentida pelo efetivo e pela sociedade, com o aumento da violência no Estado.

Só este ano 71 policiais deixaram a corporação, sendo que 9 morreram e 65 foram para a reserva remunerada por tempo de serviço e segundo o diretor de pessoal, tenente-coronel Louvercy a estimativa é que cerca de 400 militares saiam em 2011.


Em menos de um mês quatro militares acabaram morrendo em Alagoas. O sargento do Bope, Mário Lopes da Rocha, 45, foi vítima de um acidente na madrugada do dia 17, na Rodovia AL-220, próximo a cidade de São Miguel dos Campos.

O sargento Francisco Torres Barreto, 50 anos, foi vítima de um acidente que aconteceu na noite deste sábado (26) envolvendo um Corsa, de cor branca, placa MUE-8425-AL, dirigido por ele que vinha no sentido Craíbas-Arapiraca e uma S-10, de cor prata, placa MVB-3869-AL.

O capitão Luacir Albuquerque Macário, 49, foi assassinado a tiros, na tarde de sexta-feira (18), dentro de sua residência, no bairro do Pinheiro, durante um assalto. Já no dia 23 o tenente Deraldo Juvino dos Santos Osvald, 53, morreu após levar um tiro, quando estava na porta de casa, no conjunto Gama Lins. Ele estava na reserva desde outubro

De acordo com o tenente-coronel Louvercy, o militar pode ir para a reserva até os 65 anos, mas pode ser convocado a qualquer momento. Já diante da reforma o vínculo com a instituição acaba, funcionando como uma espécie de aposentadoria. “O militar da reserva pode voltar à PM em caso de guerra ou situações de comoção social em que haja necessidade de aumento do efetivo. Isso nunca aconteceu no Estado, mas o governador pode convocar, está na lei”, explicou.

“Em casos de doença o militar também vai para a reserva, mas sem a possibilidade de ser novamente convocado. Será analisado se a doença aconteceu devido à atividade policial. O homem vai para a reserva com 30 anos de serviço, aos 57. Já a mulher com 25, quando chega a 47, de acordo com a graduação e o tipo de serviço, porque tem aqueles que trabalham na ponta da linha, nas ruas. Em caso de férias o militar é substituído”, explicou.

Ele lembrou que as perdas no efetivo não são compensadas e em tese, isso prejudicaria a segurança pública de várias formas, estimando que o déficit de policiais militares no Estado se aproxime a 8 mil. O tenente-coronel lamentou a demora para realização de concurso público na PM, afirmando que o comando tem metas de que por ano cerca de 600 policiais ingressem na corporação para completar o quadro, com a possibilidade de aproveitamento daqueles que ficam na reserva técnica.

O tenente-coronel Louvercy afirmou que há 3 vezes mais saída de militares na corporação do que permanência. “Em cinco anos cerca de 4 mil policiais terão deixado a tropa, o que equivale a metade do efetivo atual. Quando chega o fim do tempo de serviço eles entram com pedido de reserva e têm que esperar 30 dias, mas é muito tempo para quem quer sair, para ter redução de 11% no desconto do Ipaseal e 8% no Imposto de renda. Muitos nos procuram ou são convocados para fazer avaliação de saúde. Existem aqueles que trabalharam em outros locais e juntam o tempo de serviço”, contou.

Segundo ele é preciso mais investimento na corporação para a realização de cursos de qualificação e de formação para o militares. “Tem toda uma logística. É preciso mais salas de aula e professores. Cerca de 700 recrutas estão sendo formados no estado, em um curso que dura 6 meses. Eles devem ingressar na PM em abril e mais 100 em agosto. 900 aprovados foram convocados no último concurso, mas alguns não chegaram até o final. O comandante já conversou com o governador sobre essa necessidade”, informou.

Sobre os assassinatos de policiais militares ele lembrou que a tropa já não é mais vista como inatingível, algo que é vivido diariamente no exercício da profissão. “infelizmente o risco é uma coisa natural, que temos que lidar no dia a dia, mas vejo esses assassinatos com preocupação”, destacou.