O teatro no interior alagoano sempre teve forte ligação com a arte circense. Não à toa no início dos anos 1940, pequenos circos faziam temporadas com palhaços de perna-de-pau, que executavam malabares e tudo o que é de direito, apresentando também as chamadas peças de teatro mambembe, a exemplo de “A Louca do Jardim”, “Deus Lhe Pague”, “O Saltimbanco” e a comoção tomava a plateia.

Desde o último domingo (1°), Arapiraca virou a capital da 5ª Arte, tomando os palcos do município com representações de diversas companhias de teatro.

Nesta terça-feira (3), o espetáculo “Voo Solo” será apresentado no Planetário Digital Municipal, no Lago da Perucaba, bairro de Zélia Barbosa Rocha, a partir das 20h. A peça é resultado da procura de um enredo dramatúrgico voltado para a experimentação artística em outro ambiente.

Uma das peças, a "Uma História de Cordel na Feira do Passarinho", misturou teatro com um quê circense, no meio do Parque Municipal Ceci Cunha, interagindo com o público, neste domingo.

O IV Festival de Teatro de Arapiraca irá até dia 8 de dezembro. Com o empenho da prefeita Célia Rocha (PTB), junto aos realizadores do festival, a Associação dos Artistas de Massaranduba (AAMA), cinco projetos vêm pela 2ª Mostra Alagoana de Teatro "Alagoas em Cena".

“É inegável que a presença de companhias tão distintas em nossa cidade não crie um ar de satisfação. Arapiraca é polo cultural e queremos que novos talentos surjam a partir do contato com a arte cênica”, diz a secretária Municipal de Cultura e Turismo (Sectur), Tânia Santos.

Segundo o historiador Zezito Guedes, em seu livro “Arapiraca Através do Tempo”, de 1999, várias trupes eram atração na cidade nos idos de 1940. “Influenciado, talvez, por essas apresentações em Arapiraca, o professor Pedro de França Reis, diretor do Instituto São Luis, tomou a iniciativa de reunir alguns jovens para ensaiar as primeiras peças de teatro na escola em Arapiraca que foram apresentadas no salão da Empresa Força e Luz e no palco do Cine Leão, sendo muito aplaudidas pelos espectadores que colaboravam com o grupo de teatro, cuja renda era revertida em prol das obras assistenciais da Paróquia Nossa Senhora do Bom Conselho”, relata.

“Mais adiante, em 1950, os adolescentes Pedro Onofre e José de Sá, que já haviam improvisado um circo no fundo de um quintal, resolveram ensaiar também as peças de teatro ‘O Martírio de Santa Filomena’, ‘Terra Vermelha’, ‘Coração Materno’ e outras que fizeram sucesso na época agora como teatro amador”, diz Guedes, ressaltando que a arte cênica, desde então, vem ganhando força – mais ainda com este evento que ocorre nesta semana.

Festival

A partir da terça-feira (3), está sendo cobrada a entrada de R$ 5 – os ingressos estão à venda na Banca de Revistas Fox, na Praça Deputado José Marques da Silva, centro comercial de Arapiraca. Neste dia, o festival tem segmento mais uma vez no Planetário com "Voo Solo", protagonizado pela Invisível Companhia de Teatro, às 20h.

No mesmo horário, no dia posterior (4), a história do nosso escritor Mestre Graça será revisitada em "Graciliano, um Brasileiro Alagoano - Memórias de Heloísa", da companhia Sua Majestade, o Circo. A apresentação ocorre no Teatro do Sesi, bairro da Primavera.

O “Cordel de Amor Sem Fim”, da Cia. Maria Dengosa, encanta a plateia novamente do Teatro do Sesi, na quinta-feira (5), às 20h.

No sábado (7), “Mirandolina”, do Grupo Cena Livre, no cine teatro do Planetário, entra no palco pondo em voga o feminismo no século XVIII e no último dia, o domingo (8), a Associação Teatral Joana Gajuru retoma a peça “A Farinhada”, sucesso de público e crítica.

Esta quarta edição do Festival de Teatro de Arapiraca, realização da AAMA, tem apoio da Prefeitura de Arapiraca, da Sectur, do Serviço Social do Comércio (Sesc), da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de Alagoas (Sated/AL), do Fundo do Cultura de Alagoas, do Alagoas em Cena e Teatro Deodoro – Diretoria de Teatro do Estado de Alagoas.