google 1358464598assediomoral Assédio Moral

Enquanto Arapiraca é reconhecida como uma potência econômica do nordeste pelos jornais e revistas especializadas, a falta de trato humano e social anda na contramão desse cenário.

Segundo o que pude apurar em conversas informais com alguns funcionários de lojas do centro da cidade, o assédio moral é constante dentro dos estabelecimentos onde trabalham, por parte de patrões e gerentes destas lojas.

Segundo pesquisa realizada em 2012 em todo país pela médica Margarida Barreto da PUC- SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) 66% dos entrevistados disseram ter sido intimados por seus respectivos superiores. A maioria dos assediados foram mulheres.

Fernando, nome fictício, me falou que na loja onde trabalha, aqui no centro de Arapiraca, vive constrangido com sua patroa que lhe chama atenção na frente dos clientes da loja. - Eu faço de tudo pra ficar longe dela, pois quem está por perto é humilhado em seus momentos de fúria. Já outra funcionaria que também não quis se identificar, me falou que foi contratada para vendedora, mas que praticamente não exerce a profissão, uma vez que passa o dia todo pagando contas da patroa e do marido dela. - É ruim pra mim, pois a minha comissão é quase nada, devido eu ficar muito tempo fora da loja sem ser recompensada, falou.

Já Jaqueline, outro nome fictício, não pode ficar sentada na loja de roupa onde trabalha, mesmo que não tenha clientes. - Se a dona vê que eu sentei um pouco para descansar, já grita dizendo que eu não quero trabalhar, reclama Jaqueline.

Há relatos de funcionários que são obrigados pelos donos dos estabelecimentos, no fim do expediente, a abrir suas bolsas, expondo seus pertences pessoais para o patrão ou para alguém designado por ele, a fim de verificar a honestidade do funcionário.

Os chefes que assediam moralmente seus subordinados são pessoas inseguras, autoritárias, despreparadas que usam do seu cargo de superior para cometer o uso de poder. E acredite, isso acontece e muito. O assédio moral acontece quando chefes usam de seu poder para humilhar de diversas formas seus funcionários. Mas isso não ocorre somente com os chefes, mas também com colegas de trabalho que se acham mais inteligentes e com cargos superiores.

Funcionário nenhum é permitido conversar ou cumprimentar conhecidos que chegar na loja onde eu trabalho, sentencia outra funcionaria de uma loja de brinquedos que não quis revelar o nome para não perder o trabalho.

Já outra funcionaria de uma loja de roupa famosa no centro da cidade me disse que a dona exige que o vestuário do funcionário seja de grife. - Eu praticamente trabalho apenas para comprar essas roupas, uma vez que o que eu ganho é desproporcional ao preço destas vestimentas, lamenta a funcionária. Quando perguntei por que ela não mudaria de emprego, a resposta veio rápida como um tiro: Tenho medo de mudar de trabalho, pois onde minha prima trabalha é pior do que aqui, sorri desgostosa.

Embora o assédio moral não esteja regulamentado, a Constituição Federal tem sido o fundamento legal para se obter a reparação desse dano.

Entre outras reclamações desta realidade obscura relatada por quem trabalha no comercio de Arapiraca são:

Horário de trabalho acima do permitido, às vezes, 10 ou 12 horas por dia, além de obrigar implicitamente que trabalhem nos feriados e dias de domingo.

Mistura do trabalho profissional com pessoal.

Telefone dos funcionários guardado a sete chaves.

Sem horário de almoço – 20 ou 30 minutos apenas.

Rateio de despesas entre os funcionários com mercadoria quebrada, quando não se encontra o verdadeiro culpado.

Diminuições de funcionários na frente dos clientes.

Atrasos de salários superiores há 10 dias sem dar satisfação ao funcionário, e sem que eles possam perguntar o motivo.

O assedio moral é um problema de saúde pública e seu custo é muito elevado sob o ponto de vista econômico-financeiro, para a sociedade e também possui um custo humano. Os problemas de depressão ocasionados pelo assedio são os mais graves.

Assédio moral segundo dicionário técnico jurídico:

Figura nova do Direito. Trata-se de conduta abusiva, forma de tortura psicológica que atenta contra a integridade psíquica. É praticada de modo constante e repetitivo, por comportamentos, atos, gestos, palavras, que ofendem o trabalhador expondo-o a situações humilhantes. Pode causar danos psíquicos e emocionais, angustia, insegurança, insônia, depressão, síndrome do pânico, podendo levar o ofendido até cometer suicídio. Só tribunais têm reconhecido os dos causados por essas condutas e condenados responsáveis a pagar indenizações aos ofendidos.