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Localizada estrategicamente no coração do mapa do Estado de Alagoas, o município de Arapiraca desponta como importante protagonista no processo de evolução e desenvolvimento econômico da Terra dos Marechais, que neste sábado (16) completa 200 anos de emancipação política.

Nas décadas de 70 e 80 a cidade ganhou notoriedade nacional, ostentando o título de capital brasileira do fumo, cultura que, paralelamente com a cana-de-açúcar, impulsionou a agricultura e a economia do Estado de Alagoas. O “ouro verde”, que era exportado para o mundo inteiro, proporcionou o sustento de milhares pais e mães de famílias, assim como o enriquecimento de vários fumicultores, que chegaram a acumular fortunas no auge da produção.

No início dos anos 90, com o declínio da cultura fumageira, a agricultura familiar ganhou espaço com o cultivo das hortaliças. Os grandes latifúndios de fumo iniciaram um processo de desfragmentação, dando lugar as pequenas propriedades, que proporcionaram uma divisão mais justa e igualitária da economia local.

Seja na cultura do fumo ou das hortaliças, a pujança do comércio arapiraquense sempre foi impulsionada pela tradicional Feira Livre, importante propulsora no processo da independência política de Arapiraca. Todas as segundas-feiras circulam pelo local milhares de pessoas não somente de cidades circunvizinhas, mas de todo o Agreste, Sertão e Baixo São Francisco.

Na Feira se encontra de tudo, desde roupas, móveis, utensílios domésticos, alimentos, equipamentos agrícolas, animais, ervas medicinais, artesanato e o que se puder imaginar. O próprio poliinstrumentista Hermeto Pascoal, natural de Lagoa da Canoa, buscou nos sons da Feira Livre de Arapiraca a inspiração para alguns dos seus trabalhos.

E por falar em trabalho, famílias inteiras deixaram a zona rural em busca de uma vida melhor na – agora chamada – capital do Agreste. Boa parte delas está concentrada em conglomerados habitacionais de moradia popular que, juntos, abrigam mais de dez mil famílias, superando, inclusive, a população da maioria das cidades alagoanas.

Recentemente, a cidade viveu uma “boom” imobiliário, impulsionado pelos programas habitacionais do governo federal. O crescimento desenfreado trouxe com ele os problemas sociais, um dos maiores desafios do poder público. Dados do IBGE apontam que a população de Arapiraca supera os 230 mil habitantes, mas há quem diga que mais de um milhão de pessoas convergem para a cidade, gerando uma população flutuante. O motivo? Arapiraca está equidistante das capitais Maceió e Aracaju, assim como do mar e do Velho Chico.

Mas o desenvolvimento não trouxe apenas problemas. Trouxe também um shopping center, o primeiro do interior do Estado que, além dos benefícios econômicos, proporcionou algo bem mais significante nas vidas das pessoas, em especial das crianças e jovens da zona rural, que um dia sonharam conhecer uma sala de cinema ou, simplesmente, sentir o gosto dos sanduíches de uma famosa rede mundial de fast food. Hoje isso é possível.

Além dos shoppings, o comércio local também ganhou renomadas redes atacadistas que geram empregos, impostos e opções de consumo. Arapiraca ganhou novas avenidas e vem evoluindo no processo de verticalização. Prestes a receber o gás natural, a cidade vem se consolidando no turismo de negócios, ampliando sua rede hoteleira e gastronômica.

E assim é Arapiraca. Uma cidade de 92 anos – prestes a completar 93 – e que tem um povo apaixonado e cheio de orgulho. Povo que faz questão de vestir a camisa do ASA e dizer: Sou Arapiraquense!