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A cultura alagoana e os artistas da terra ganham cada vez mais espaço no cenário nacional. Nesta semana, o artista circense Teófanes Silveira ganhou mais um troféu. Desta vez, a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo concedeu ao palhaço Biribinha o Prêmio Governador do Estado para Cultura 2015, na categoria Circo – Júri Popular, com 58% dos votos. O Prêmio é uma forma de valorização e incentivo à produção cultural.

Mestre do Patrimônio Vivo de Alagoas, Teófanes Antônio Leite da Silveira, leva alegria junto à Companhia Turma do Biribinha há mais de 50 anos. Para ele, para ser um profissional do riso não basta apenas se fazer piada. “O ofício de quem busca o riso constante é um dom de conhecimento da alma humana. Ser palhaço é ser uma representação simbólica de um povo, que se vira diante das mais complicadas situações que a sociedade lhe impõe. O palhaço é um homem pintado, e um homem, um palhaço sem se pintar”, declarou o artista.

O primeiro palhaço Biriba foi Nelson Silveira, pai de Biribinha. Ele entrou no universo circense após declamar uma poesia de forma diferente. O modo como a recitou, a entonação, as expressões faciais impressionaram o público, e Nelson Silveira convidado para participar do curso de teatro, em Salvador.

Tornou-se ator e, posteriormente, foi contratado pelo circo Pavilhão Teatro Guarani para ser diretor-teatral. Faleceu em 1977, com 65 anos. Para Teófanes, foi a partir daquela poesia que principiou toda a história circense da família Silveira.

Sua mãe, Expedita, a Dita Silveira, teve o circo como sua escola, tornando-se uma das melhores atrizes do grupo, tanto nos dramas como nas comédias. Nelson e Dita tiveram seis filhos e todos se tornaram artistas de circo. Teófanes, filho mais velho dos seis, iniciou sua aprendizagem e estreia no circo teatro aos sete anos de idade.

Durante atuação em uma peça, Teófanes falava algumas palavras erradas, o que acabou provocando risadas das plateias. No dia seguinte, seu pai, Nelson Silveira, o pintou de palhaço para representar a mesma peça. O eletricista da companhia sugeriu que se o pai era o Palhaço Biriba, então que colocasse o nome do filho de Biribinha.

“Naquela época, o circo teatro não tinha recurso técnico nenhum, mas nós tínhamos a criatividade de provocar no expectador a reação do inesperado”, lembra Teófanes.

O Circo Mágico Nelson fez história em Arapiraca e Biribinha também deixou sua marca. Hoje, há um espaço que atende mais de 700 crianças e adolescentes da Rede Municipal de Ensino, que tem aulas de tecido, acrobacia solo, corda indiana, malabares e arte do picadeiro. A escola, que recebe o nome do palhaço, repassa a arte milenar, mantendo a tradição cultural.

Biribinha chegou ao topo do escalão circense no Brasil, sendo referência para inúmeros atores e aspirantes no picadeiro.O enredo das suas apresentações é repleto de alegorias e metáforas.

“O mundo do circo sempre exerceu fascínio sobre todas as pessoas. Crianças e adultos deixaram e deixam se levar nas ilusões do mágico ou nas deliciosas brincadeiras do palhaço”, afirma o palhaço.

Atualmente, vive com sua família em Americana, interior de São Paulo, local onde ocorrem circuitos contínuos de espetáculos do segmento.“O circo representa a minha própria vida! Foi nele que nasci, cresci e continuo vivendo e aprendendo; ele é a minha universidade”, conclui o palhaço Biribinha.